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O Atacama começa muito antes do deserto: planejamento, Cordilheira e estrada fazem parte de uma das grandes experiências (Foto: Divulgação)

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Atacama de moto: planejamento e dicas para uma grande viagem

Da escolha da época aos passos da Cordilheira, combustível, hotéis, documentos, seguros, câmbio e segurança: o que a experiência na estrada ensina sobre uma das grandes viagens de moto da América do Sul.


Everson Assunção

Mototour

19/08/2026 15h10

Viajar de moto para o Deserto do Atacama está na lista de desejos de muita gente.

E não é difícil entender por quê.

Cordilheira dos Andes, grandes retas, vulcões, salares, lagunas, pequenas cidades, altitude e aquelas paisagens que fazem você diminuir a velocidade simplesmente para olhar melhor.

Mas tem uma coisa que vale saber antes de começar:

uma boa viagem ao Atacama começa muito antes de você enxergar o deserto.

Começa escolhendo a época certa, estudando o caminho, pensando onde vai dormir, onde vai abastecer, como estarão os passos da Cordilheira e até de que forma você vai pagar as despesas no caminho.

Pode parecer muita coisa.

É.

Mas é justamente esse planejamento que permite chegar lá e aproveitar a viagem de verdade.

Qual é a melhor época para fazer o Atacama de moto?

Vamos começar por um ponto em que muita gente erra.

Quando se fala em deserto, é comum pensar:

“Lá quase não chove, então posso ir em qualquer época.”

Não é bem assim.

Quando você sai do Brasil de moto em direção ao Atacama, não precisa pensar apenas no clima de San Pedro de Atacama.

Precisa pensar principalmente na Cordilheira dos Andes que terá de atravessar para chegar lá.

Pela experiência da Mototour, o período mais indicado e de menor risco para uma viagem de moto ao Atacama vai da segunda quinzena de setembro até o final de março.

É primavera e verão no Hemisfério Sul e, de maneira geral, você encontra uma janela mais favorável para atravessar regiões de grande altitude.

Isso não quer dizer que você vai passar calor o tempo inteiro.

Muito pelo contrário.

Mesmo no verão é possível enfrentar frio intenso, vento e mudanças grandes de temperatura na Cordilheira.

A diferença é que, no inverno, aumenta consideravelmente a possibilidade de neve, gelo e fechamento temporário dos passos internacionais.

E isso acontece.

Então guarde esta ideia:

não escolha a época da viagem olhando somente o clima do Atacama. Escolha pensando também na Cordilheira.

Planeje a rota, não apenas o destino

Colocar “San Pedro de Atacama” no GPS é fácil.

Planejar uma expedição é outra história.

Antes de sair pela manhã, procure saber aproximadamente quantos quil?'metros vai percorrer, onde pretende abastecer, onde irá dormir e qual margem de segurança terá caso alguma coisa não saia como esperado.

Não precisa transformar a viagem em uma planilha militar.

Aliás, isso tiraria boa parte da graça.

Mas uma coisa é viajar com liberdade. Outra é sair sem saber o que existe pela frente.

Em grandes viagens de moto, planejamento e liberdade não são opostos.

Um bom planejamento é justamente o que permite mudar o caminho sem transformar a mudança em um problema.

Combustível: normalmente não falta. O que pode faltar é planejamento.

Essa é uma dúvida muito comum de quem começa a pensar no Atacama:

“Preciso levar tanque extra?”

Na maioria dos roteiros tradicionais, não.

Se você planejar corretamente os abastecimentos, normalmente não haverá necessidade de carregar combustível adicional.

Uma referência prática que usamos é trabalhar com oportunidades de abastecimento em intervalos de aproximadamente 200 a 250 quil?'metros.

Isso dá uma boa margem para a maioria das motocicletas utilizadas nesse tipo de viagem.

É claro que autonomia depende da moto, velocidade, vento, carga e garupa.

Mas a lógica é simples:

não espere entrar na reserva para começar a pensar no próximo posto.

Se há combustível disponível e você tem uma longa etapa pela frente, abasteça.

Em uma viagem desse tamanho, ninguém ganha troféu por chegar ao posto com três gotas no tanque.

Vai atravessar um passo? Confira antes de sair.

Essa é outra dica que parece óbvia até o dia em que deixa de ser.

Se sua etapa envolve um passo internacional, consulte a situação dele antes de sair do hotel.

Não confie apenas no fato de que estava aberto no dia anterior.

O Paso de Jama, por exemplo, possui horário determinado de funcionamento, e sua operação pode ser alterada devido às condições climáticas.

E aqui vai outra dica de estrada:

sempre que possível, atravesse o passo cedo.

Pode haver fila.

Pode demorar na imigração.

Pode ocorrer alguma restrição.

Pode mudar o tempo.

E, sim, pode haver fechamento.

Essas coisas acontecem com mais frequência do que muita gente imagina.

Chegando cedo, você tem margem para resolver.

Chegando perto do horário de fechamento, qualquer atraso vira um problema muito maior.

Em viagem internacional, uma boa margem de tempo vale quase tanto quanto uma boa margem de combustível.

Altitude, frio e vento: respeite os três

A Cordilheira muda rapidamente a percepção de quem está acostumado a viajar apenas em altitudes brasileiras.

Você pode passar por regiões acima dos 4.000 metros.

O ar fica mais rarefeito e algumas pessoas sentem dor de cabeça, cansaço ou indisposição.

Não precisa entrar em pânico.

Mas precisa respeitar seu corpo.

A viagem não é competição.

Se você estiver cansado, diminua o ritmo.

Se não estiver se sentindo bem, pare.

E cuidado com aquela ideia de que “é deserto, então vai estar quente”.

Na altitude, mesmo no verão, pode fazer bastante frio.

Roupas em camadas ajudam muito porque permitem adaptar o equipamento conforme a temperatura muda durante o dia.

E há também o vento.

Em alguns trechos ele será apenas companhia. Em outros, poderá exigir atenção redobrada.

Moto carregada, garupa e rajadas laterais mudam bastante o comportamento da motocicleta.

A melhor ferramenta continua sendo aquela que serve para praticamente tudo em uma viagem:

bom senso.

Um bom hotel não é luxo depois de um dia inteiro de moto

Depois de oito ou nove horas de estrada, você entende rapidamente por que insistimos tanto nesse assunto.

Hotel não é apenas um lugar onde você deixa a mala.

Em uma viagem longa, ele é parte da recuperação para o dia seguinte.

Procure uma hospedagem confortável, bem localizada e, principalmente, com lugar seguro para guardar a motocicleta.

Garagem faz diferença.

Não é muito agradável chegar cansado depois de centenas de quil?'metros e descobrir que precisa deixar a moto na rua ou carregada de bagagem a três quadras do hotel.

E reservar previamente também ajuda.

Depois de um dia inteiro pilotando, a última coisa que você vai querer fazer é ficar rodando pela cidade procurando quarto.

Às vezes economizar um pouco no hotel custa caro no descanso do dia seguinte.

Não transforme a viagem em uma competição de quil?'metros

Aqui talvez esteja um dos erros mais comuns.

O motociclista começa planejando uma grande viagem e, quando percebe, criou uma programação em que todos os dias são:

acordar cedo, pilotar 600 quil?'metros, chegar cansado, dormir e repetir.

No final, atravessou três países e praticamente não conheceu nenhum deles.

Não faça isso.

Pare.

Caminhe.

Conheça a cidade.

Coma alguma coisa típica.

Visite um lugar interessante.

Converse com pessoas.

Faça uma fotografia sem a moto aparecendo.

Você não precisa provar quantos quil?'metros consegue rodar por dia.

FAÇA UMA VIAGEM DE MOTO. MAS, ACIMA DE TUDO, FAÇA MOTOTURISMO.

A moto é uma maneira extraordinária de chegar aos lugares.

Não deixe que ela seja a única coisa que você conheça durante a viagem.

Documentação: resolva antes de sair de casa

Documento em viagem internacional não é o tipo de coisa que você deve descobrir na fronteira.

A motocicleta precisa estar regularmente documentada.

Se ela estiver em seu nome, leve o documento apropriado.

Se não estiver, verifique previamente a necessidade de autorização do proprietário e as formalidades exigidas pelos países por onde você irá passar.

E uma recomendação prática:

não dependa de um print do documento feito no celular.

Tenha o documento emitido e disponível de forma adequada.

Pode parecer excesso de cuidado, mas quando você está a milhares de quil?'metros de casa, organização documental deixa de ser burocracia e vira tranquilidade.

Carta Verde e SOAPEX não são a mesma coisa

Esse assunto gera bastante confusão.

Para circular pela Argentina, é necessário observar a exigência do Seguro Carta Verde, seguro de responsabilidade civil internacional destinado aos veículos que transitam em países abrangidos pelo sistema.

Já no Chile é diferente.

O Chile não aceita a Carta Verde como substituta do SOAPEX.

Veículos brasileiros que ingressam temporariamente no país precisam contratar o SOAPEX — Seguro Obligatorio de Accidentes Personales para Vehículos Extranjeros.

Nossa dica é simples:

não deixe isso para a fronteira. Faça antes da viagem.

SOAPEX:

https://www.hdi.cl/soap/soapex

Seguro viagem: cuidado com uma armadilha comum

Outra coisa que muita gente descobre tarde demais:

ter seguro viagem não significa necessariamente estar coberto em um acidente de motocicleta.

Seguro é justamente uma daquelas coisas que esperamos nunca usar.

Mas, se precisar, aquela cláusula que você não leu antes pode fazer muita diferença.

A Mototour disponibiliza opções de seguro viagem em:

www.mototourseguros.com.br

Dinheiro e câmbio: tenha mais de uma alternativa

Hoje ficou muito mais fácil viajar internacionalmente sem carregar grandes quantidades de dinheiro.

Cartões e contas globais como Wise e Nomad são boas alternativas para pagamentos e saques.

Mas não cometa outro erro comum:

não dependa somente do cartão.

Você vai passar por postos, pequenas cidades, restaurantes e estabelecimentos em regiões onde pode haver problema de conexão ou simplesmente o cartão não ser aceito.

Tenha sempre uma reserva em espécie.

Não precisa viajar com todo o orçamento no bolso.

A ideia é ter dinheiro suficiente para continuar a viagem caso algum cartão seja bloqueado, o aplicativo apresente problema ou você encontre um estabelecimento que trabalhe apenas com dinheiro.

E também não deixe tudo no mesmo lugar.

Um cartão com você, outro guardado separadamente e uma reserva de dinheiro bem protegida oferecem muito mais segurança.

Em uma grande viagem, formas diferentes de pagamento funcionam como redundância.

E redundância é uma coisa muito boa quando você está longe de casa.

Planeje também o dinheiro que você espera não gastar

Hospedagem, combustível e alimentação são previsíveis.

O problema geralmente está nas despesas que não estavam na planilha.

Um pneu.

Uma manutenção.

Uma diária adicional porque um passo fechou.

Uma mudança inesperada de roteiro.

Um passeio que você resolveu fazer.

Um estacionamento.

Uma refeição um pouco mais cara.

Nada disso isoladamente costuma acabar com o orçamento.

Mas tudo junto pode pesar.

Por isso, faça uma programação financeira consistente e mantenha uma reserva para imprevistos.

Quem leva exatamente o dinheiro necessário para a viagem está contando com uma condição bastante otimista: que absolutamente nada dê errado.

Equipamento não é enfeite

Capacete, jaqueta, calça, botas e luvas não fazem você pilotar melhor.

Mas podem fazer uma diferença enorme quando alguma coisa dá errado.

Talvez a melhor maneira de colocar isso seja:

o equipamento não impede o acidente, mas pode mudar completamente as consequências dele.

Você escolhe equipamento pensando justamente naquele dia em que espera nunca precisar testar sua eficiência.

Não economize exatamente naquilo que estará entre seu corpo e o asfalto.

Velocidade não recupera planejamento ruim

Atrasou?

Não tente recuperar no acelerador.

Você dificilmente vai ganhar no relógio aquilo que pode perder em segurança.

Uma programação bem feita precisa prever abastecimentos, paradas, fronteiras e algum atraso.

Se você depende de andar acima do seu ritmo para chegar ao hotel antes de escurecer, provavelmente o problema começou antes de você acelerar.

NÃO TRANSFORME O ACELERADOR EM FERRAMENTA DE PLANEJAMENTO.

Nunca planeje viajar à noite

Evite.

Na estrada, durante a noite, você perde visibilidade, aumenta o cansaço e reduz sua capacidade de identificar animais, objetos, buracos e outros problemas.

Comece cedo.

Aproveite o dia.

E chegue ao hotel ainda com luz.

Pode acontecer de uma situação excepcional atrasar uma etapa.

Mas viajar à noite nunca deveria fazer parte do planejamento normal de uma expedição de moto.

Parece muita coisa?

É porque realmente é.

Você precisa pensar em época da viagem, rota, combustível, fronteiras, hotéis, documentos, seguros, dinheiro, equipamentos, manutenção, descanso, clima e horários.

E ainda não falamos de tudo.

Agora imagine cuidar disso diariamente durante uma viagem de milhares de quil?'metros.

É perfeitamente possível fazer.

Muitos motociclistas fazem e adoram justamente essa parte da aventura.

Mas há também quem prefira dedicar sua energia a outra coisa:

pilotar e aproveitar a viagem.

Quer apenas pilotar e viver a experiência?

Se você não quiser organizar sozinho toda essa logística, a Mototour realiza expedições guiadas de motocicleta por diversos destinos da América do Sul e da Europa.

O planejamento começa muito antes da saída.

Roteiro, etapas, hospedagens, orientação dos participantes, acompanhamento da viagem, guia em motocicleta e estrutura de apoio fazem parte do conceito das expedições.

E isso não tira a aventura.

Na verdade, acontece o contrário.

Você continua atravessando a Cordilheira.

Continua sentindo frio.

Continua vendo o Atacama aparecer diante da viseira.

Continua fazendo quil?'metros de moto.

A diferença é que pode dedicar muito mais atenção à experiência e muito menos tempo resolvendo a logística.

Depois de muitos quil?'metros de estrada, talvez essa seja uma das coisas mais importantes que aprendemos:

o objetivo de uma grande viagem não é simplesmente chegar ao destino.

É aproveitar tudo o que acontece até chegar lá.

E, quando o caminho é o Atacama, pode acreditar:

há muita coisa para viver antes mesmo de enxergar o deserto.

```

Quer conhecer o Atacama de moto sem precisar cuidar sozinho de toda essa logística? Conheça também as expedições da Mototour para o Atacama.


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