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Em um cenário de verões cada vez mais extremos, tecnologias de gestão térmica prometem reduzir o estresse fisiológico do piloto. Investigamos o que realmente está por trás dessa proposta.
Everson Assunção
Mototour
O termômetro marca 32 °C. O asfalto irradia mais. Sob a jaqueta, a temperatura da pele pode ultrapassar 34 °C — valor registrado em medições relatadas pelo fabricante do Cool Guard Moto Vest. Nesse ponto, o corpo já não está apenas “sentindo calor”. Ele está trabalhando intensamente para manter o equilíbrio térmico.
A frequência cardíaca sobe. A sudorese aumenta. A concentração começa a oscilar.
Calor extremo não é apenas desconforto. É variável de segurança.
Durante décadas, o motociclismo evoluiu em freios, suspensões e eletrônica embarcada. Mas pouco se discutiu sobre a fisiologia do piloto. Em um cenário de mudanças climáticas e viagens sob temperaturas cada vez mais severas, cresce o interesse por soluções voltadas à gestão térmica corporal.
Entre elas, os coletes de resfriamento ativo ganham espaço.
A proposta tecnológica
O Cool Guard Moto Vest é um colete de resfriamento ativo que combina circulação de água com ventilação natural gerada pelo deslocamento da motocicleta.
Diferentemente dos modelos evaporativos passivos — que dependem apenas da umidificação do tecido — o sistema utiliza uma pequena bomba elétrica alimentada pela própria motocicleta (12V). O consumo declarado é inferior a 4W, com ligação direta à bateria e fusível integrado.
O princípio físico é simples: acelerar a evaporação para retirar calor da superfície da pele. A diferença está no controle do fluxo de água, que busca manter desempenho constante durante a pilotagem.
O que dizem os dados fornecidos
Segundo informações técnicas fornecidas pelo fabricante, foram realizados testes comparativos com medição por termômetro de contato fixado à pele do tórax do motociclista.
Em condição rodoviária (32 °C ambiente e 100 km/h), a temperatura da pele teria sido reduzida de cerca de 34,5 °C para aproximadamente 26 °C com o uso do colete, enquanto um modelo evaporativo concorrente teria registrado cerca de 29 °C nas mesmas condições.
Três graus podem parecer pouco no papel. Na fisiologia térmica, não são.
A fabricante ressalta que se trata de medição indireta e que o produto não possui certificação técnica independente.
Onde funciona melhor — e onde não
Todo sistema evaporativo depende de ventilação. Segundo as informações fornecidas, a eficiência cai abaixo de aproximadamente 40 km/h em calor extremo.
O uso recomendado é sob jaquetas ventiladas, preferencialmente com tecido externo em malha. Sob vestuário impermeável ou com baixa circulação de ar, o desempenho tende a ser insatisfatório.
Os testes relatados foram realizados em ambiente úmido, próximo ao litoral do Rio de Janeiro — condição tradicionalmente desafiadora para sistemas evaporativos.
Conforto ou redução real de estresse térmico?
A distinção é relevante.
Conforto é percepção subjetiva.
Estresse térmico é resposta fisiológica.
Quando o corpo precisa trabalhar excessivamente para dissipar calor, há aumento de frequência cardíaca, desidratação acelerada e maior desgaste físico. Em viagens longas, isso se traduz em fadiga acumulada.
Se a redução de temperatura da pele ocorre conforme declarado, a tecnologia pode contribuir para diminuir a carga térmica sobre o organismo, preservando resistência e foco ao longo da pilotagem.
Especificações declaradas
Consumo elétrico inferior a 4W
Peso seco aproximado de 650 g
Autonomia média de até 2 horas com 500 ml de água
Bomba substituível
Resistência à chuva
Garantia de 3 meses
Há necessidade de higienização adequada do reservatório para evitar proliferação de microrganismos — ponto que exige disciplina do usuário.
Durabilidade e manutenção: o que esperar no uso prolongado
Segundo informações fornecidas pelo fabricante, a bomba elétrica do sistema possui vida útil estimada em aproximadamente 1.000 horas de funcionamento e pode ser substituída em caso de desgaste. O equipamento permite reposição de componentes, o que evita a necessidade de descarte integral do colete em caso de falha pontual. A manutenção recomendada concentra-se principalmente na higienização do reservatório e na secagem adequada após o uso, a fim de evitar proliferação de microrganismos.
Do ponto de vista do consumidor, trata-se de um sistema que não exige manutenção complexa, mas requer disciplina de uso e cuidados básicos para preservar desempenho e longevidade.
Uma tendência em formação
O motociclismo sempre investiu na máquina. Agora começa a investir no piloto.
Se tecnologias de gestão térmica amadurecerem e forem validadas por testes independentes, poderão deixar de ser vistas como item de conforto e passar a integrar a discussão sobre segurança ativa do motociclista.
O tema está lançado.
E, em tempos de calor cada vez mais intenso, dificilmente deixará de ser debatido.
Mais informações
Informações técnicas adicionais podem ser consultadas no site oficial do fabricante: https://32ep.com/
Esta análise foi construída com base na investigação técnica conduzida pela redação e nas respostas formais fornecidas pelo fabricante. Não houve teste prático independente nem validação laboratorial externa dos dados apresentados. Os números citados representam desempenho declarado.
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