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Calor, fadiga e foco: a ciência por trás dos coletes de resfriamento para motociclistas

Em um cenário de verões cada vez mais extremos, tecnologias de gestão térmica prometem reduzir o estresse fisiológico do piloto. Investigamos o que realmente está por trás dessa proposta.


Everson Assunção

Mototour

26/02/2026 08h47

O termômetro marca 32 °C. O asfalto irradia mais. Sob a jaqueta, a temperatura da pele pode ultrapassar 34 °C — valor registrado em medições relatadas pelo fabricante do Cool Guard Moto Vest. Nesse ponto, o corpo já não está apenas “sentindo calor”. Ele está trabalhando intensamente para manter o equilíbrio térmico.

A frequência cardíaca sobe. A sudorese aumenta. A concentração começa a oscilar.

Calor extremo não é apenas desconforto. É variável de segurança.

Durante décadas, o motociclismo evoluiu em freios, suspensões e eletrônica embarcada. Mas pouco se discutiu sobre a fisiologia do piloto. Em um cenário de mudanças climáticas e viagens sob temperaturas cada vez mais severas, cresce o interesse por soluções voltadas à gestão térmica corporal.

Entre elas, os coletes de resfriamento ativo ganham espaço.

A proposta tecnológica

O Cool Guard Moto Vest é um colete de resfriamento ativo que combina circulação de água com ventilação natural gerada pelo deslocamento da motocicleta.

Diferentemente dos modelos evaporativos passivos — que dependem apenas da umidificação do tecido — o sistema utiliza uma pequena bomba elétrica alimentada pela própria motocicleta (12V). O consumo declarado é inferior a 4W, com ligação direta à bateria e fusível integrado.

O princípio físico é simples: acelerar a evaporação para retirar calor da superfície da pele. A diferença está no controle do fluxo de água, que busca manter desempenho constante durante a pilotagem.

O que dizem os dados fornecidos

Segundo informações técnicas fornecidas pelo fabricante, foram realizados testes comparativos com medição por termômetro de contato fixado à pele do tórax do motociclista.

Em condição rodoviária (32 °C ambiente e 100 km/h), a temperatura da pele teria sido reduzida de cerca de 34,5 °C para aproximadamente 26 °C com o uso do colete, enquanto um modelo evaporativo concorrente teria registrado cerca de 29 °C nas mesmas condições.

Três graus podem parecer pouco no papel. Na fisiologia térmica, não são.

A fabricante ressalta que se trata de medição indireta e que o produto não possui certificação técnica independente.

Onde funciona melhor — e onde não

Todo sistema evaporativo depende de ventilação. Segundo as informações fornecidas, a eficiência cai abaixo de aproximadamente 40 km/h em calor extremo.

O uso recomendado é sob jaquetas ventiladas, preferencialmente com tecido externo em malha. Sob vestuário impermeável ou com baixa circulação de ar, o desempenho tende a ser insatisfatório.

Os testes relatados foram realizados em ambiente úmido, próximo ao litoral do Rio de Janeiro — condição tradicionalmente desafiadora para sistemas evaporativos.

Conforto ou redução real de estresse térmico?

A distinção é relevante.

Conforto é percepção subjetiva.

Estresse térmico é resposta fisiológica.

Quando o corpo precisa trabalhar excessivamente para dissipar calor, há aumento de frequência cardíaca, desidratação acelerada e maior desgaste físico. Em viagens longas, isso se traduz em fadiga acumulada.

Se a redução de temperatura da pele ocorre conforme declarado, a tecnologia pode contribuir para diminuir a carga térmica sobre o organismo, preservando resistência e foco ao longo da pilotagem.

Especificações declaradas

  • Consumo elétrico inferior a 4W

  • Peso seco aproximado de 650 g

  • Autonomia média de até 2 horas com 500 ml de água

  • Bomba substituível

  • Resistência à chuva

  • Garantia de 3 meses

Há necessidade de higienização adequada do reservatório para evitar proliferação de microrganismos — ponto que exige disciplina do usuário.

Durabilidade e manutenção: o que esperar no uso prolongado

Segundo informações fornecidas pelo fabricante, a bomba elétrica do sistema possui vida útil estimada em aproximadamente 1.000 horas de funcionamento e pode ser substituída em caso de desgaste. O equipamento permite reposição de componentes, o que evita a necessidade de descarte integral do colete em caso de falha pontual. A manutenção recomendada concentra-se principalmente na higienização do reservatório e na secagem adequada após o uso, a fim de evitar proliferação de microrganismos.

Do ponto de vista do consumidor, trata-se de um sistema que não exige manutenção complexa, mas requer disciplina de uso e cuidados básicos para preservar desempenho e longevidade.

Uma tendência em formação

O motociclismo sempre investiu na máquina. Agora começa a investir no piloto.

Se tecnologias de gestão térmica amadurecerem e forem validadas por testes independentes, poderão deixar de ser vistas como item de conforto e passar a integrar a discussão sobre segurança ativa do motociclista.

O tema está lançado.

E, em tempos de calor cada vez mais intenso, dificilmente deixará de ser debatido.

Mais informações

Informações técnicas adicionais podem ser consultadas no site oficial do fabricante: https://32ep.com/

Esta análise foi construída com base na investigação técnica conduzida pela redação e nas respostas formais fornecidas pelo fabricante. Não houve teste prático independente nem validação laboratorial externa dos dados apresentados. Os números citados representam desempenho declarado.

 

 

 

 

 

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