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Bajaj é dona de 48% do capital da empresa europeia. Colunista fala sobre os modelos que serão feitos no país.
Roberto Agresti
G1
A austríaca KTM anunciou recentemente sua volta ao mercado brasileiro. Desde 1994, a tradicional fabricante europeia, que nasceu com foco em motos para a prática do fora de estrada, vem diversificando sua linha e hoje tem força em nichos como o das motos aventureiras, naked e até mesmo superesportivas.
E com a KTM, vêm os indianos. A Bajaj detém 48% da empresa e é a terceira maior fabricante de motos do planeta, perdendo apenas para a sua conterrânea Hero Moto Corp e para a líder mundial, a japonesa Honda.
A parceria entre KTM e Dafra é relevante, mas nada chama mais a atenção do que o fato de os indianos estarem, finalmente, colocando o pé no Brasil. Mas a Bajaj entrará no país exibindo modos europeus, vestindo um traje laranja (a cor da KTM) e com representantes se expressando na língua de Goethe.
Há muito se comenta que executivos vindos de Nova Delhi, Mumbai e Bangalore rondam Manaus. Aliás, as fofocas da Zona Franca dão como certa a aquisição, há tempos, de uma grande área no Polo Industrial da capital amazonense, cujo destino seria o de abrigar um nada modesto parque industrial de uma empresa indiana. Se é a Bajaj, a Hero ou até TVS (também parceira da Dafra através da Apache 150), não se sabe.
A volta da KTM
No Brasil, durante quase duas décadas, a KTM esteve à cargo de um pequeno importador. A exclusividade dos modelos e o preço alto inibiam as vendas, mas deram às motos da marca uma incontestável aura de objeto do desejo entre seus fãs, especialmente, os amantes do fora de estrada.
Em 2010, uma proposta para aumentar o volume das vendas no Brasil pareceu irresistível aos executivos de Mattighofen, cidade-sede da KTM no norte da Áustria. O Grupo Izzo, naquela altura já divorciado da Harley-Davidson e da Triumph, ainda tinha a Ducati no portfólio e talvez tenha usado tal cartão de visitas para encher os olhos dos chefões da KTM no momento em que a marca investia fortemente na expansão mundial.
O "casamento" entre KTM e Izzo teve um início fulgurante, com um grande showroom inaugurado na capital paulista no início de 2011 e, logo depois, no Salão das Duas Rodas em outubro daquele ano. Mas o final dessa história foi tão rápido quanto melancólico. A atuação do Grupo Izzo no ramo das motos terminou menos de um ano depois do anúncio de uma fábrica em Manaus, que nunca saiu do papel.
O "sonho Brasil" se revelara um estrondoso fracasso, incoerente com a progressão positiva da KTM no mundo: em 2012, a fabricante se consolidava como a número um da Europa, desbancando BMW e Grupo Piaggio. Além disso, a poderosa Bajaj iniciava a aquisição de uma fatia da empresa austríaca.
No plano divulgado, 14 modelos serão oferecidos no país entre 2014 e 2015. Serão as pequenas KTM 200 e 390 Duke e “modelões”, como a 1290 Superduke e a 1190 Adventure. O plano é usar a "expertise" industrial da Dafra para logo começar a abastecer o mercado e parte de suas revendas.
Nessa retomada das atividades da KTM no Brasil, é certo que o volume da operação será patrimônio das estradeiras Duke. A 200 se encaixa em um segmento muito competitivo do nosso mercado e brigará com motos de motores maiores como a Honda CB 300 e Kawasaki Ninja 300.
Já a Duke 390 poderá ser a grande surpresa, achando uma boa fresta entre as 250-300 e as 500 cc ou mais. Detalhe importante: a 200 e a 390 são totalmente feitas na Índia, mas com projeto da KTM.
Kawasaki é alternativa
O sucesso da KTM no Brasil no novo desenho pode significar a consolidação dos indianos nosso mercado. Mas os eles ainda têm uma alternativa: a Kawasaki, com a qual têm acordos comerciais e tecnológicos há anos.
Fabricante de motos utilitárias, a Bajaj poderia oferecer à Kawasaki do Brasil o que lhe falta, ou seja, motos de 125 a 300 cc, e a Pulsar é seu modelo de sucesso comprovado. Elas poderiam ocupar o buraco na tabela da marca, onde a moto mais barata é a bicilíndrica esportiva Ninja 300, vendida a R$ 23 mil.
Se de laranja, via as pequenas KTM 200 e 390, ou de verde, via Kawasaki, com Pulsar ou outra Bajaj qualquer, o ingresso de uma empresa indiana no mercado brasileiro é algo que não surpreende. De fato, a surpresa é quanto isso demorou para acontecer.
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