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Nova naked de alta cilindrada da Honda chega ao mercado brasileiro em versões ABS e SP, com motor derivado da CBR1000RR Fireblade, 147,4 cv e pacote eletronico completo
Everson Lamar Assuncao
Mototour
O nome Hornet nunca passou despercebido entre os motociclistas brasileiros. Durante anos, a antiga CB600F construiu uma legião de admiradores e ajudou a transformar a denominação em uma das mais conhecidas da Honda no país.
Agora, a família cresce para cima.
A Honda CB1000 Hornet 2027 foi apresentada para o mercado brasileiro durante o Festival Interlagos e chega em duas versões: ABS e SP. Mas, apesar do nome conhecido, esta não é simplesmente uma Hornet maior.
Estamos falando de uma naked de quatro cilindros em linha, 147,4 cv de potência e 10,3 kgf.m de torque, equipada com motor derivado da CBR1000RR Fireblade.
Para quem gosta de viagens de moto, estradas sinuosas e máquinas de alta cilindrada — exatamente o perfil de boa parte do público da Mototour — é provavelmente um dos lançamentos mais interessantes da Honda dos últimos anos.
Um motor que vem da Fireblade
O principal cartão de visitas da CB1000 Hornet está entre as pernas do piloto.
O motor de quatro cilindros em linha deriva da esportiva CBR1000RR Fireblade, uma origem que já deixa clara a proposta da nova naked.
Na especificação divulgada pela Honda para o Brasil, são 147,4 cv e 10,3 kgf.m de torque.
Mais do que buscar simplesmente potência máxima, a Honda trabalhou esse propulsor para oferecer boa entrega nas faixas baixa e intermediária de rotação e, ao mesmo tempo, preservar aquela característica típica dos quatro cilindros: conforme o giro sobe, o motor ganha outra personalidade.
Na documentação técnica internacional da CB1000 Hornet, a própria Honda explica que o propulsor deriva da Fireblade de 2017 e foi adaptado justamente para combinar utilização amigável em cidade com desempenho mais contundente em estradas abertas.
É uma combinação que faz bastante sentido em uma naked de grande cilindrada.
Você não precisa manter o motor permanentemente girando alto para aproveitar a moto, mas continua tendo disponível o desempenho característico de um quatro-cilindros quando a estrada permite.
Eletr?'nica para administrar quase 150 cv
Colocar quase 150 cv em uma naked moderna exige mais do que um bom chassi.
Por isso, tanto a CB1000 Hornet ABS quanto a SP recebem acelerador eletr?'nico Throttle By Wire, modos de pilotagem configuráveis e o HSTC — Honda Selectable Torque Control, sistema de controle de tração da marca.
A eletr?'nica permite ajustar o comportamento da motocicleta de acordo com as condições de pilotagem e com a preferência do motociclista.
A Honda também equipa a nova Hornet com painel TFT colorido de 5 polegadas, com conectividade para smartphone.
Na especificação internacional, o sistema utiliza o Honda RoadSync, permitindo integração com determinadas funções do telefone diretamente pelo conjunto de instrumentos.
Para uma moto que deverá ser utilizada não apenas em passeios curtos, mas também em viagens, essa conectividade deixa de ser mero detalhe.
Suspensão invertida Showa nas duas versões
As duas CB1000 Hornet utilizam suspensão dianteira invertida Showa.
É na traseira, nos freios e em alguns equipamentos que começa a aparecer a principal diferença entre as versões.
Na CB1000 Hornet ABS, a Honda utiliza conjunto traseiro Showa e freios dianteiros Nissin.
A proposta é oferecer toda a performance do motor e praticamente todo o pacote eletr?'nico da família em uma configuração menos sofisticada — e, provavelmente, mais acessível.
Já a CB1000 Hornet SP acrescenta componentes que fazem diferença para quem pretende explorar mais profundamente o potencial da motocicleta.
CB1000 Hornet SP: Öhlins, Brembo e quickshifter
É aqui que a nova Hornet começa a ficar particularmente interessante.
A versão SP recebe amortecedor traseiro Öhlins TTX36, componente de alto nível que oferece possibilidades mais amplas de regulagem e maior controle da suspensão.
Na frenagem dianteira, entram em cena as pinças radiais Brembo Stylema.
São componentes encontrados em motocicletas de proposta claramente esportiva e que colocam a SP um degrau acima da versão convencional em termos de ciclística.
A SP também recebe quickshifter de série, permitindo subir e reduzir marchas sem o acionamento convencional da embreagem durante a pilotagem.
A especificação internacional da Honda confirma exatamente esse conjunto: Öhlins TTX36, Brembo Stylema e quickshifter como elementos que diferenciam a versão mais esportiva.
É importante perceber que a SP não é simplesmente uma versão com pintura diferente e alguns acessórios.
As mudanças estão justamente em três áreas que o motociclista percebe quando começa a exigir mais da moto: suspensão, frenagem e trocas de marcha.
ABS ou SP: qual é a diferença na prática?
Essa provavelmente será uma das principais perguntas de quem considerar a nova CB1000 Hornet.
A resposta depende muito mais do tipo de utilização do que de aparência.
CB1000 Hornet ABS
Faz sentido para o motociclista que quer:
- motor quatro cilindros de quase 150 cv;
- eletr?'nica completa;
- suspensão dianteira invertida;
- utilização em viagens e estradas;
- desempenho elevado sem necessariamente buscar componentes de competição.
Para esse perfil, a versão ABS já oferece praticamente tudo que se espera de uma naked de 1.000 cm³ moderna.
CB1000 Hornet SP
Já a SP fala diretamente com quem valoriza:
- pilotagem mais esportiva;
- maior possibilidade de acerto da suspensão;
- freios de especificação superior;
- quickshifter;
- componentes premium.
Em uma estrada de muitas curvas, principalmente quando o ritmo aumenta, Öhlins e Brembo deixam de ser apenas nomes conhecidos no catálogo.
É justamente nesse cenário que a diferença entre as duas versões tende a aparecer de forma mais evidente.
E para viajar?
Uma naked de alta cilindrada dificilmente terá a proteção aerodinâmica de uma big trail ou sport touring.
Isso não muda na CB1000 Hornet.
Em viagens longas e velocidades elevadas, a ausência de uma grande carenagem significa que o piloto estará mais exposto ao vento.
Por outro lado, para quem gosta daquele tipo de viagem em que a estrada é parte importante da diversão — especialmente serras, montanhas e trechos sinuosos — a proposta começa a fazer bastante sentido.
O quatro cilindros oferece ampla reserva de potência para ultrapassagens, enquanto a eletr?'nica e a ciclística moderna ajudam a tornar essa performance mais administrável.
Ela não pretende substituir uma Africa Twin ou uma touring.
É outra experiência.
A CB1000 Hornet é para quem quer viajar pilotando uma naked de alta performance, e não simplesmente chegar ao destino.
O nome Hornet voltou diferente
É inevitável comparar a nova CB1000 com a Hornet que marcou época no Brasil.
Mas talvez seja um erro esperar uma repetição da antiga CB600F.
A nova motocicleta pertence a outra geração.
A própria Honda resgatou internacionalmente o conceito histórico da Hornet: motocicletas rápidas, divertidas e com motores derivados de esportivas. A primeira CB600F já utilizava essa fórmula, e a nova CB1000 volta a recorrer a um propulsor de origem Fireblade.
O DNA pode ser semelhante.
A tecnologia, porém, mudou completamente.
Agora há acelerador eletr?'nico, modos de pilotagem, controle de tração, conectividade, TFT, suspensão invertida e, no caso da SP, Öhlins, Brembo e quickshifter.
É uma Hornet adequada ao que se espera de uma naked de alta cilindrada em 2027.
A SP pode ser a grande estrela
As duas versões certamente terão seus públicos, mas a CB1000 Hornet SP tem ingredientes que devem despertar maior interesse entre motociclistas experientes.
E isso acontece por uma razão simples.
Quando uma moto já possui quase 150 cv, acrescentar mais potência nem sempre é o que transforma a experiência.
Frear melhor, controlar melhor os movimentos da suspensão e fazer trocas de marcha mais rápidas pode ser muito mais relevante.
É justamente aí que estão os principais investimentos da versão SP.
Öhlins TTX36, Brembo Stylema e quickshifter formam um conjunto coerente com a proposta de uma naked esportiva de grande cilindrada.
Uma Hornet para outro nível
A CB1000 Hornet 2027 não chega apenas para ocupar mais um espaço no catálogo da Honda.
Ela coloca novamente a marca japonesa em evidência entre as naked de quatro cilindros e alta cilindrada e, ao mesmo tempo, leva um dos nomes mais conhecidos pelos motociclistas brasileiros para um patamar de desempenho muito superior.
Os 147,4 cv, o motor derivado da Fireblade, a eletr?'nica atual e a possibilidade de escolher entre ABS e SP criam duas interpretações da mesma motocicleta.
A ABS parece ser a opção mais racional.
A SP é a que provavelmente fará o motociclista permanecer alguns minutos a mais olhando para ela.
E talvez essa seja uma boa maneira de definir uma Hornet.
Pode mudar a cilindrada, mudar a tecnologia e mudar a geração.
Mas ela ainda precisa provocar vontade de subir, ligar o motor e procurar uma boa estrada.
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