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Michelin Anakee Adventure 2 chega ao Brasil com proposta 80/20 para big trails

Novo pneu da Michelin promete mais aderência no molhado, maior durabilidade e menos ruído para motociclistas que viajam principalmente no asfalto, mas também enfrentam terra, cascalho e outros trechos fora de estrada


Everson Lamar Assuncao

Mototour

14/08/2026 11h19

Michelin Anakee Adventure 2 chega ao Brasil com proposta 80/20 para big trails

Novo pneu da Michelin promete mais aderência no molhado, maior durabilidade e menos ruído para motociclistas que viajam principalmente no asfalto, mas também enfrentam terra, cascalho e outros trechos fora de estrada

A Michelin apresentou ao mercado brasileiro o Anakee Adventure 2, nova geração de seu pneu destinado às motocicletas big trail.

A proposta é clara: atender o motociclista que passa a maior parte do tempo no asfalto, mas não quer ficar limitado quando a viagem inclui trechos de terra, cascalho, pedra ou areia.

Segundo a fabricante, o novo pneu foi desenvolvido para uma utilização 80% em asfalto e 20% fora de estrada.

Na comparação com a geração anterior, a Michelin anuncia três avanços principais: 10% mais aderência em piso molhado, 14% mais quilometragem em média e 30% menos ruído percebido pelo motociclista.

Quando a durabilidade é analisada por eixo, o ganho informado é de 7% no pneu dianteiro e 21% no traseiro.

Para quem viaja de big trail, especialmente com garupa e bagagem, esse último número chama atenção. O pneu traseiro trabalha sob carga elevada, recebe diretamente o torque do motor e costuma ser o primeiro a demonstrar desgaste em viagens longas.

Mais aderência no molhado

Entre todas as evoluções anunciadas, talvez a mais relevante para quem viaja seja o ganho de aderência em piso molhado.

A Michelin informa uma melhora de 10% em relação à geração anterior, obtida com novos compostos de sílica de alto desempenho.

Na estrada, isso pode ter impacto importante.

Durante uma viagem, chuva nem sempre significa possibilidade de interromper imediatamente o deslocamento. O motociclista muitas vezes precisa seguir sob diferentes condições de temperatura, visibilidade e pavimento.

Em uma big trail carregada, aumentar a margem de aderência pode fazer diferença principalmente em frenagens, mudanças de direção e entradas de curva.

Naturalmente, nenhum pneu elimina os riscos provocados por água, óleo, areia ou pintura no pavimento. Mas uma evolução de aderência em piso molhado é especialmente relevante em um produto destinado ao turismo.

Tecnologia MICHELIN 2CT

O Anakee Adventure 2 utiliza a tecnologia MICHELIN 2CT, desenvolvida para equilibrar durabilidade e aderência em diferentes regiões da banda de rodagem.

Na parte central, onde ocorre grande parte do desgaste em viagens rodoviárias, a prioridade está na resistência ao uso prolongado.

Nas laterais, utilizadas principalmente quando a motocicleta está inclinada, o foco passa para a aderência.

Essa combinação faz sentido em uma big trail utilizada em grandes viagens.

Longos trechos de rodovia exigem durabilidade. Quando a rota chega a uma serra ou estrada sinuosa, o motociclista precisa justamente de confiança nas laterais do pneu.

Estrutura reforçada com aramida

Outra tecnologia destacada pela Michelin é o Reinforced Radial-X Evo & Aramid Shield, voltado à estabilidade, conforto e resistência estrutural.

Esse tipo de construção ganha importância em motocicletas grandes, pesadas e potentes, frequentemente utilizadas com garupa, malas laterais, top case e bagagem.

Segundo Rafael Barboza, Gerente de Negócios da Michelin para o segmento de Duas Rodas, o reforço com aramida e a estrutura da carcaça foram desenvolvidos para oferecer maior estabilidade, inclusive em velocidades elevadas.

É um ponto importante porque, em uma viagem, o pneu precisa lidar não apenas com potência e velocidade, mas também com o peso total do conjunto durante muitas horas consecutivas.

30% menos ruído

A Michelin anuncia ainda uma redução de 30% no ruído percebido pelo piloto.

Pode parecer um detalhe secundário, mas em viagens longas essa diferença pode ser relevante.

Em uma motocicleta, o piloto está exposto diretamente ao ruído do motor, escapamento, vento, turbulência aerodinâmica e contato dos pneus com o pavimento.

Ao longo de várias horas de pilotagem, essa soma contribui para o cansaço.

Pneus de proposta aventureira normalmente utilizam blocos mais pronunciados na banda de rodagem, necessários para melhorar a tração fora do asfalto. O desafio é conseguir esse resultado sem aumentar demais o ruído e as vibrações em rodovia.

O novo desenho do Anakee Adventure 2 procura justamente equilibrar essas duas necessidades.

E quando o asfalto termina?

Aqui é importante entender corretamente a proposta do produto.

O Anakee Adventure 2 não é um pneu para enduro pesado ou trilhas extremamente técnicas.

Sua vocação principal continua sendo rodoviária.

Mas o desenho da banda de rodagem foi desenvolvido para oferecer motricidade em situações comuns em viagens de aventura: terra compactada, cascalho, pedras e determinados trechos de areia.

Para quem passa a maior parte do tempo em trilhas, lama ou terrenos muito difíceis, um pneu com proposta mais off-road continuará sendo mais adequado.

Já para quem roda predominantemente por asfalto e quer liberdade para entrar em estradas secundárias e acessos não pavimentados, a configuração 80/20 tende a fazer mais sentido.

Para quem o Anakee Adventure 2 faz sentido?

O perfil do novo pneu é bastante definido.

Ele deve interessar principalmente ao motociclista que utiliza uma big trail, realiza viagens de média e longa distância, roda majoritariamente pelo asfalto e deseja capacidade suficiente para enfrentar trechos fora de estrada sem abrir mão de conforto, estabilidade e durabilidade.

É um tipo de uso comum entre proprietários de motocicletas como BMW GS, Honda Africa Twin, Triumph Tiger, Ducati Multistrada e outras big trails.

Nessas motos, o pneu precisa ser versátil o suficiente para enfrentar chuva, longos deslocamentos, diferentes tipos de pavimento e eventualmente estradas não asfaltadas.

Segundo Celso Mattos, Diretor Comercial da Michelin para o mercado de Duas Rodas, a proposta é justamente oferecer confiança para quem alterna rotina urbana, viagens em rodovia e caminhos de terra, pedra ou areia.

Moto não tem estepe

Entre as declarações da Michelin durante o lançamento, uma das mais simples é também uma das mais importantes para quem viaja.

Rafael Barboza lembra que uma motocicleta não tem estepe.

Isso muda completamente a importância atribuída ao pneu.

Em áreas urbanas, um problema pode significar chamar assistência e esperar algum tempo.

Em uma estrada isolada ou região remota, a situação pode ser bem mais complicada.

Por isso, durabilidade e resistência não representam apenas economia.

Também representam tranquilidade.

Nenhum pneu está livre de perfurações, impactos ou danos causados por objetos na pista, mas maior resistência estrutural e vida útil são características especialmente importantes em viagens de longa distância.

Uma evolução voltada ao uso real

As big trails modernas são mais potentes, mais pesadas, carregam mais equipamentos e conseguem percorrer grandes distâncias com facilidade.

Os pneus precisam acompanhar essa evolução.

Com o Anakee Adventure 2, a Michelin aposta justamente nos pontos que mais aparecem durante uma viagem real: chuva, desgaste, estabilidade, conforto e mudança de terreno.

Os números divulgados pela fabricante são interessantes:

10% mais aderência no molhado,

até 21% mais durabilidade no pneu traseiro,

e 30% menos ruído percebido pelo piloto.

No papel, são avanços importantes.

Mas, como acontece com qualquer pneu destinado ao motociclista viajante, a avaliação definitiva só aparece depois de muitos quilômetros, com a moto carregada, diferentes tipos de asfalto, chuva, calor, serras e alguns bons trechos de terra.

É nesse cenário que um pneu adventure mostra de verdade até onde consegue levar o motociclista.

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