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Nova regra reduz o limite conforme a gravidade das multas e muitos pilotos ainda não sabem — veja como evitar a suspensão
Everson Assunção
Mototour
Nova CNH: quantos pontos fazem o motociclista perder a carteira hoje
A regra que define os novos limites de pontos para suspensão da CNH não é recente. Ela está em vigor desde abril de 2021, quando o Código de Trânsito Brasileiro passou a adotar o sistema progressivo que varia conforme a gravidade das infrações cometidas em um período de 12 meses. Desde então, o modelo substituiu o antigo limite fixo de 20 pontos e continua valendo atualmente.
O sistema atual é variável e depende da gravidade das infrações cometidas em 12 meses, algo que pode antecipar — ou adiar — a perda do direito de pilotar.
Para quem vive sobre duas rodas, entender isso não é detalhe burocrático. É sobrevivência legal.
O novo limite de pontos na prática
Hoje o teto muda conforme as infrações gravíssimas registradas no período de um ano:
- Até 40 pontos — se não houver infração gravíssima
- Até 30 pontos — com 1 infração gravíssima
- Até 20 pontos — com 2 ou mais gravíssimas
Não é apenas somar multas. A gravidade pesa mais que a quantidade.
Como funciona a pontuação por tipo de infração
O Código de Trânsito divide as infrações em quatro níveis:
Leve – 3 pontos | Multa de R$ 88,38
Média – 4 pontos | Multa de R$ 130,16
Grave – 5 pontos | Multa de R$ 195,23
Gravíssima – 7 pontos | Multa base de R$ 293,47
Em algumas infrações gravíssimas, o valor pode ser multiplicado (como nos casos de álcool ou excesso extremo de velocidade), além de poder gerar suspensão direta da CNH.
Infrações gravíssimas mais comuns entre motociclistas
Aqui está o ponto crítico. Muitas situações comuns no dia a dia do motociclista entram como gravíssimas:
- Pilotar sem capacete ou com viseira aberta
- Avançar sinal vermelho
- Ultrapassagem perigosa
- Excesso de velocidade acima de 50% do limite
- Conduzir sob efeito de álcool
Duas ocorrências dessas em 12 meses reduzem o limite para 20 pontos — e a margem desaparece rápido.
Os pontos não zeram no ano novo
Cada infração permanece válida por 12 meses a partir da data em que ocorreu.
Só depois desse período ela deixa de contar.
Não existe “reset de janeiro”. Existe contagem contínua no tempo.
Motociclista profissional tem regra diferente
Quem possui EAR (Exerce Atividade Remunerada) — motofrete, entregador, mototáxi — pode atingir até 40 pontos independentemente da gravidade.
Mas atenção: álcool, racha, recusa ao bafômetro e empinar moto suspendem a CNH diretamente, mesmo com poucos pontos.
Suspensão direta: quando os pontos nem entram no cálculo
Algumas infrações pulam o sistema de pontuação:
- Dirigir sob efeito de álcool
- Recusar bafômetro
- Participar de racha
- Velocidade acima de 50% do limite
- Empinar moto
Aqui não existe “saldo”. A penalidade é imediata.
Conduta em rodovia também pode gerar autuação
Andar em pé na moto em estradas pavimentadas pode resultar em infração. Embora seja técnica comum no off-road, em vias abertas ao tráfego essa prática foge do padrão seguro de condução. O Código de Trânsito Brasileiro permite autuação por “dirigir sem os cuidados indispensáveis à segurança”, infração leve com multa e pontos. Se houver risco a terceiros ou condução exibicionista, o enquadramento pode se tornar mais grave. Em rodovias, a recomendação é manter postura estável e previsível, preservando controle total da motocicleta.
MULTAS COMUNS QUE O MOTOCICLISTA COMETE SEM PERCEBER
- Andar em pé na moto (em via pública)
Pode gerar multa por condução sem cuidado. Em rodovia, reduz controle e previsibilidade.
- Intercomunicador mal utilizado
Integrado ao capacete é permitido. Mas isolar os dois ouvidos ou perder atenção pode gerar autuação.
- Mexer no GPS ou celular em movimento
Usar suporte é permitido. Tocar na tela rodando é infração gravíssima.
- Viseira aberta ou uso incorreto do capacete
Além da multa, pode levar à suspensão da CNH dependendo da situação.
- Moto com equipamento irregular
Farol, lanterna, placa, retrovisor ou escapamento fora do padrão geram autuação rápida.
- Pequenas distrações que viram infração
Ziguezague, olhar prolongado fora da via, condução “relaxada demais” — tudo pode ser enquadrado como falta de atenção.
Regra de ouro: previsibilidade, atenção total e moto 100% regular.
No trânsito, a multa chega antes — o acidente chega depois.
O que realmente mudou
Antes: limite fixo de 20 pontos.
Hoje: sistema que mede nível de risco do condutor.
Na prática:
O motociclista prudente ganhou margem.
O imprudente perde a carteira mais rápido.
No mundo real, trânsito não é opinião — é física aplicada. Velocidade aumenta energia, energia aumenta consequência. O Código de Trânsito apenas formaliza aquilo que o asfalto já cobra.
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