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As novas cores agregam status ao modelo que se destaca entre as outras motos (Foto: Doni Castilho)

Mototeste

NC 750X entra na briga com preço mais baixo

Custando R$ 32.500 a racional crossover da Honda se sai bem em ruas e estradas e parte para cima da concorrência


Cicero Lima

Infomoto

25/08/2017 11h53

Na parada para abastecimento, a inevitável pergunta do frentista - “cadê a tampa do tanque?” - soou como uma velha piada aos meus ouvidos. Ao girar a chave para ter acesso ao bocal, que fica sob o assento da garupa, aproveitei para contar que o modelo já está há cinco anos no mercado brasileiro. “Conhecia não”, disse o frentista, enquanto a bomba de combustível enchia o tanque, com capacidade para 14,1 litros da NC 750X, uma moto ainda pouco conhecida no Brasil e que não repetiu o mesmo sucesso que teve na Europa.

Curioso, ele perguntou o que havia no lugar comumente reservado aos tanques de combustível nas motos. Mostrei o espaço para o capacete, jogo de ferramentas e outros pequenos objetos. “Cabe tudo aí”, disse ele animado, para depois me desejar boa viagem.

A surpresa do frentista é a mesma de muitos motociclistas ao olharem a NC 750 X que, no modelo 2018, ganhou novas cores (vermelho e verde, ambas perolizadas) e também um preço mais competitivo: passou de R$ 36.500 para R$ 32.500. Ela não mudou em nada – motor ou ciclística –, porém o novo posicionamento a coloca em excelente patamar de disputa com modelos como a Triumph Tiger 800 XR (R$ 40.990) e a BMW F 700 GS (R$ 34.900), modelos que antes eram suas algozes pela maior capacidade cúbica do motor e pela vasta eletrônica embarcada, algo que a NC não tem, oferecendo apenas freios ABS.

Racional

Para dizer a verdade, a NC 750X é uma moto simples. Sua eletrônica se resume ao painel digital e ao sistema de freios ABS. O conjunto se mostrou bem sensível e transmitiu confiança ao encarar as estradas secundárias da região do Sul de Minas, em direção à Monte Verde.

Embora asfaltado, o trajeto é repleto de “armadilhas” como poças de lama, trechos úmidos do asfalto e areia perto das lombadas. Nessa situação o sistema ABS permitiu frenagens fortes e manteve a NC em sua trajetória. Sem sustos. Na dianteira, há um disco de 320 mm e, na traseira, outro de 240 mm de diâmetro. Em qualquer situação se mostraram adequados à proposta da moto.

Embora seja uma crossover, segundo a Honda, ela não gosta de estradas de terra e pistas esburacadas. Suas rodas de liga-leve, de 17 polegadas, não convivem bem com terrenos acidentados. Ela até encara uma estradinha de fazenda, mas convém não abusar. Caso tenha de percorrer algum trecho mais complicado – com lama, por exemplo, – vale a pena diminuir a calibragem dos pneus para ter maior aderência. Mas fique atento com pedras pontiagudas, elas podem danificar rodas e pneus.

Motor comportado e econômico

Assim como a maioria das motos Honda, a NC transmite aquela sensação de “velha amiga”. O motor de dois cilindros e 745 cc gosta de trabalhar em baixos giros. Aos 4.750 giros já oferece o torque máximo de 6,94 kgf.m, o que permite acelerações vigorosas e muita segurança nas ultrapassagens. Ao subir de giros o escapamento emite um som grave e agradável em busca da modesta potência máxima de 54,5 cv disponível a apenas 6.250 giros.

Ao pegar uma rodovia quase não se usa o câmbio. Basta engatar a sexta, e última marcha, e viajar tranquilamente a 120 km/h, na faixa dos 3.500 rpm. Nessa condição – rodando dentro do limite das estradas – seu consumo foi de 32 km/litro. Mas se pesar a mão no acelerador, pode chegar a 24 km/litro.

Por falar em aceleração, ela atinge facilmente os 170 km/h, quando sua estabilidade parece chegar ao limite. O piloto começará a sentir uma oscilação bem desagradável por conta do vento desviado pelo grande para-brisa. Porém, com quase 40 cm de altura, mas sem regulagem, a bolha ajuda a desviar a chuva e o frio. Para aumentar o conforto em viagens valeria a pena investir em um protetor de mão.

“Scooter” com câmbio

De volta à cidade, a NC mostra sua versatilidade ao encarar sem problemas os congestionamentos de São Paulo. Alta, ela permite que o guidão passe acima dos retrovisores dos carros e, se for necessário, consegue mudar de direção com facilidade por conta da roda (aro 17) e o bom torque do motor.

O comportamento da 750X é similar aos dos grandes scooters. Fácil de pilotar, econômica e ainda com um bagageiro que completa seu “jeitão” urbano.

Conclusão

Com suas novas cores, a NC 750X consegue atrair olhares curiosos e transmitir status. Não é uma moto empolgante de se pilotar, ao contrário. Seu DNA é de um veículo racional, econômico e prático. Entretanto, a crossover da Honda sempre carregou o estigma de ser uma moto cara quando comparada a outros modelos que, na mesma faixa, ofereciam mais recursos eletrônicos.

Mas, agora, com o novo preço sugerido de R$ 32.500, três anos de garantia e a assistência 24 h em todo o Brasil e América do Sul, a NC 750X passa a ser uma boa opção para quem busca uma moto para viajar e usar no dia-a-dia.

Ficha Técnica

Honda NC 750X 2018

Motor Dois cilindros em linha, OHC e arrefecimento líquido

Capacidade cúbica 745 cc

Diâmetro x curso 77 x 80 mm

Relação de compressão 10,7: 1

Potência máxima 54,5 cv a 6.250 rpm

Torque máximo 6,94 kgf.m a 4.750 rpm

Sistema de alimentação Injeção Eletrônica

Sistema de lubrificação Forçada, por bomba trocoidal

Câmbio 6 velocidades

Embreagem Multidisco em banho de óleo

Sistema de partida Elétrica

Chassi

Tipo Diamond em aço

Suspensão dianteira Garfo telescópico com 153,5 mm de curso

Suspensão traseira Monoamortecedor fixado por links com 150 mm de curso e ajuste na pré-carga da mola

Freio dianteiro Disco de 320 mm de diâmetro ABS

Freio traseiro Disco de 240 mm de diâmetro ABS

Pneu dianteiro 120/70 ZR17M/C

Pneu traseiro 160/60 ZR17M/C

Comprimento x Largura x Altura 2.228 x 844 x 1.353 mm

Distância entre-eixos 1534 mm

Distância mínima do solo 164 mm

Altura do assento 832 mm

Capacidade do tanque 14,1 litros (2,9 litros para a reserva)

Peso seco 210 kg

Cores disponíveis Verde ou Vermelho perolizado

Preço Praticado R$ 32.500 (São Paulo – SP)

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